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A Mata Atlântica
no Estado do Rio de Janeiro
Estima-se que a Mata Atlântica recobria,
ao tempo da chegada dos portugueses ao Brasil, cerca de 98% do território
fluminense, englobando a mata propriamente dita (floresta ombrófila densa)
e ecossistemas associados, como manguezais, restingas e campos de
altitudes.
Hoje, no entanto, calcula-se que menos de
17% da superfície do Estado estejam recobertos por florestas, que se acham
em vários estágios de conservação.
Este é um problema grave pois, além dos
aspectos paisagísticos notáveis, merece destaque a função das florestas
como reguladoras do ciclo hidrológico e da qualidade da água dos rios,
reduzindo o risco de enchentes e inundações, da erosão dos solos e do
assoreamento dos rios. Outras importantes funções a considerar são as de
amenização do clima, de contribuição na preservação da biodiversidade e de
sobrevivência de espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção.
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As essências florestais foram sendo consumidas ao longo da história, no
Estado, para construção e obras, lenha para uso doméstico e comercial
(para ferver o óleo de baleias), e as florestas foram sendo removidas
para comportar lavouras comerciais ou de subsistência, para a implantação
de pastagens e, também, para ceder espaço para a crescente urbanização de
amplos espaços.
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No início da colonização, as matas foram
exploradas para a retirada do pau-brasil (Caesalpinea
echinata) e outras "madeiras de lei", para construção
das vilas e de embarcações. Posteriormente, na metade do século XVI,
iniciou-se um processo de substituição das matas da faixa litorânea para a
implantação de imensos canaviais. Foi a introdução da cultura cafeeira,
entretanto, que depois acelerou e expandiu o processo de desmatamento do
Estado, na segunda metade do século XVIII. Plantado inicialmente nos
arredores da cidade do Rio de Janeiro, o café alcançou o interior do Estado
através do Vale do Rio Paraíba do Sul em direção ao Estado de São Paulo e,
mais tarde, em direção ao Estado do Espirito Santo.
A decadência da cafeicultura fluminense,
provocada pelo esgotamento dos solos, concomitante com a libertação dos
negros escravos, no final do século passado, levou à generalização do uso
da terra por pastagens para a criação de gado de forma extensiva. O
processo de devastação florestal prosseguiu, em razão das pastagens e das
queimadas.
O ingresso do país no período industrial
agravou o processo de desmatamento a partir da expansão das fronteiras
agropecuárias. O desmatamento foi motivado, também, pela demanda por
material lenhoso, em especial com fins energéticos. Em 1937, por exemplo,
instalaram-se no Estado as Companhias Siderúrgicas Barra Mansa e Barbará em
virtude da disponibilidade dos recursos florestais existentes na época. As
pastagens substituíram as florestas, e a instituição das queimadas para
limpeza das áreas agrícolas contribuiu para a degradação da cobertura
florestal.
O contínuo declínio da cafeicultura, a expansão
das áreas de pecuária e a aceleração do processo industrial, principalmente
a partir da década de 60, determinaram um quadro de êxodo rural e
delinearam a paisagem do espaço agrário fluminense. Esta situação teve como
reflexo um intenso processo de expansão urbana, transformando a cidade do
Rio de Janeiro numa metrópole. O uso agrícola dos solos nas áreas
periféricas de centros urbanos, na década de 30, daria lugar, de um lado, à
especulação para uso da terra para amenidades - em especial nas Regiões da
Baía da Ilha Grande, das Baixadas Litorâneas e Serrana - e, de outro, à
expansão de loteamentos em áreas próximas ao núcleo metropolitano.
A partir de 1960, a distribuição
espacial das florestas já tinha um padrão bastante próximo ao encontrado
atualmente, onde os remanescentes florestais ocupavam as terras mais
íngremes ou estavam sob proteção do poder público, confinadas nos limites
das unidades de conservação. Segundo o Inventário Florestal Nacional (IFN),
realizado no início dos anos 80, apenas 19,16% do território fluminense, ou
8.297 km2, ainda se encontravam cobertos por florestas nativas, sendo que
35% desta área se concentravam em 4 maciços contínuos: Itatiaia, Bocaina,
Serra dos Órgãos e Santa Maria Madalena. O restante das áreas florestais remanescentes
estava disperso em pequenas manchas isoladas no restante do Estado.
Em 1990, estimou-se que a cobertura
florestal era de 6.907 km2, ou seja, 15,95% da área do Estado, conforme
estudos da Comissão para o Tombamento do Sistema Serra do Mar/Mata
Atlântica.
Quanto às florestas plantadas, o Estado
pouco se beneficiou do grande impulso para o reflorestamento ocorrido no
Brasil a partir da promulgação da Lei n.º 5.106/66, que instituiu
incentivos fiscais para reflorestamento. Até 1985 tinham sido plantados 16.600 ha, sendo que
apenas 41,85% foram implantados com dispositivos do incentivo fiscal. O
reflorestamento se concentrou no Vale do Paraíba, com destaque para o
município de Resende.
Sob jurisdição e administração federal e
estadual, o Estado do Rio de Janeiro possui aproximadamente 4.300 km2, que
se acham protegidos em unidades de conservação. Existem 19 unidades
federais, entre parques nacionais, reservas biológicas, áreas de proteção
ambiental etc. administradas pelo IBAMA, e 26 unidades estaduais, entre
parques estaduais, reservas biológicas, estações ecológicas, áreas de
proteção ambiental etc. administradas pelo IEF/RJ, FEEMA e Secretaria de
Estado de Cultura.
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